Você sabia que a preparação física ajuda na prevenção de lesões?

Carol Morelli durante aula

Um dos objetivos da preparação física é diminuir dores e desconfortos na execução dos movimentos característicos da modalidade. Com a ajuda do treinamento físico fora da piscina, o nadador melhora a qualidade do movimento articular, ganhando mais mobilidade, estabilidade, resistência, força e potência.

Lesões por sobrecarga e esforços repetitivos são comuns quando o atleta não está com o condicionamento físico 100%. Mesmo lesões traumáticas, podem ter o tempo de recuperação drasticamente reduzido a partir de treinamentos específicos.

Por isso, vale lembrar que todo o trabalho de preparação física deve ser realizado de forma individualizada, de acordo com as necessidades e limitações de cada pessoa.

Os alunos da Samir Barel Assessoria Aquática contam com uma equipe multidisciplinar composta por profissionais especializados e que possuem ampla vivência no ambiente aquático. A preparação física é feita por Ana Carolina Morelli, educadora física e campeã pan-americana e sul-americana master de piscina. Se você quer melhorar sua performance na água, entre em contato!

Por que usar materiais de treino?

Samir Barel com equipamento da Swim Haus

Muitas pessoas ainda tem objeções em treinos com pé de pato, prancha, palmar, flutuador… Mas utilizar materiais de treino tem vários benefícios. Primeiro, foge um pouco da mesmice de nadar crawl, que ocupa 80, 90% do treino. Temos uma variação no estímulo e isso acaba se tornando motivante.

Muitos não sabem mas é os materiais ajudam muito para simular estratégia de prova. Por exemplo: nado o começo da série com palmar, para estimular mais a força, igual na largada. Depois faz o treino sem o palmar, para manter um ritmo mais confortável e no terceiro quarto do treino pode colocar um flutuador para trabalhar, por exemplo, uma frequência de braçada maior, quando você está tentando ultrapassar um adversário. Na parte final do treino, coloca o pé de pato para trazer mais força e velocidade na pernada, igual o sprint final de uma prova.

Além disso, os materiais são ótimos para propriocepção, correção de técnica, ganho de força… Mas fique ligado para usar o material de maneira correta, senão ele pode tornar lesivo e comprometer toda a preparação. O uso do material gera uma resistência a mais para as articulações (palmar nos braços e ombros, flutuador na lombar, nadadeira nos joelhos e tornozelos), portanto se não tomar cuidado com a força e a intensidade, pode machucar.

Cuidado para não viciar. Ele facilita a vida do nadador, trazendo mais mobilidade, porém não pode ser utilizado na prova. Então use com objetivo bem definido e também não se renda ao comodismo, por exemplo: não estou fazendo tempo, estou cansado, vou colocar a nadadeira pra ir mais rápido. Errado! pode ocasionar uma lesão. O corpo já está pesado e você ainda vai colocar uma sobracarga em algum músculo… Então tem que ser controlado.

Tem idade para começar nas águas abertas?

Passeio Treino Aquaman – Ilha Anchieta (2019)

A maratona aquática é um esporte bastante democrático. Para a natação não existe idade, gênero, biotipo… Todos podem aprender a nadar e se adaptar as condições encontradas, sejam elas da piscina ou do ambiente ao ar livre.

Mas claro, é preciso considerar que a capacidade de aprendizagem de um adulto é diferente de uma criança ou um jovem. O adulto quando chega na academia geralmente já sabe nadar e tem diversos vícios. Tirá-los é bem mais difícil do que para alguém mais jovem que acabou de aprender o movimento, que está com a mente mais aberta para receber informações novas. Além disso, alguns adultos, por já terem vivenciado determinadas situações, chegam com medo ou algum trauma de nadar em mar, rio. Então o professor/treinador primeiro tem que ensinar a pessoa a controlar o medo e a ansiedade (que causa esse choque) pra depois trabalhar os aspectos mais técnicos.

Por isso, o tempo de aprendizagem de um adulto pode até ser maior que para alguém mais jovem, sem experiência ou traumas, mas idade não é nem pode ser um impeditivo. Assim como todos nós temos nossa individualidade, necessidades e limitações, tem pessoas que lidam com a situação de maneira mais rápida e tranquila, e outras precisam de um tempo maior para se adaptar as circunstâncias.

Por que nadar em água fria no inverno?

Samir no Canal da Mancha

Mês de julho se aproximando e muita gente já preocupada em ter que enfrentar uma piscina fria para nadar. Sabemos que tem pessoas que não treinam em local com piscina aquecida ou mesmo recorrem ao mar, rio ou represa… Mas tenho aqui duas dicas que podem “quebrar o gelo” e fazer você se motivar.

Quando a temperatura da água é baixa, a frequência cardíaca não sobe muito. Os vasos sanguíneos ficam mais “fechados” e a gente retém mais líquido, até porque não suamos tanto quanto no calor. Com isso, você nota que não vai cansar tanto quando nos dias mais quentes, o que irá te motivar mais na hora do treino. Portanto, em água fria é legal fazer um treino com mais intensidade, aproveitando o fôlego extra. Não se preocupe se as suas médias subirem nos treinos, nessas condições é normal. Como o corpo demora mais para cansar, deve se guiar pela percepção de esforço que está fazendo ali pois quando pegar uma piscina com condições melhores, mais quente, vai notar que o nado estará mais rápido e as médias melhores. Mas cuidado para não forçar além do necessário. Na hora do treino pode ser que você não sinta desconforto, mas depois, com o corpo mais frio, talvez você sinta aquela sensação de desgaste. Então, atenção redobrada em águas mais frias para evitar lesões.

Um amigo argentino, Damián Blaun, costuma dizer: independente da condição é sempre uma oportunidade. Nas águas abertas os atletas enfrentam várias condições, então se você tem a chance de encarar alguma delas, olhe pelo lado positivo, você está se preparando para aquela adversidade. Quando mais você se acostumar com a sensação que irá enfrentar no dia da prova, melhor seu corpo vai responder a esse estímulo, pois não haverá um choque imediato. Quem aí tem interesse em nadar um Canal da Mancha, Ironman em Florianópolis… pense que esse é o período ideal para simular as condições dessas provas.

Por que a preparação física é importante para nadadores?

Carol ministrando treino na Academia Move Acqua Vinhedo

A preparação física ajuda o atleta a adquirir todas as condições necessárias para praticar sua modalidade esportiva, neste caso a natação. Quem nunca ficou sem fôlego quando finalizou uma prova?! Ou teve dificuldades de executar algum movimento na hora da prova porque faltou flexibilidade, força ou outra aptidão física?! 

A preparação física aumenta a capacidade do corpo de responder adequadamente aos estímulos físicos, possibilitando que os músculos e articulações se movimentem em maior amplitude, aumentando sua capacidade de suportar peso e se adaptar a sobrecarga. 

Em resumo, preparação física significa preparar o corpo, seja para melhorar sua condição física ou para atingir um determinado objetivo. A função de um preparador físico é montar um plano de ação de acordo com os objetivos e necessidades de cada atleta, como por exemplo, ganho de força, resistência e flexibilidade, monitorando sua evolução e preparando seu corpo para atingir a performance desejada. 

Os alunos da Samir Barel Assessoria Aquática contam com uma equipe multidisciplinar composta por profissionais especializados e que possuem ampla vivência no ambiente aquático. A preparação física é feita por Ana Carolina Morelli, educadora física e campeã pan-americana e sul-americana master de piscina. Se você quer melhorar sua performance na água, entre em contato!

O óculos embaçou durante a prova, tem como arrumar?

Nesse caso é melhor parar, tirar o óculos e limpar com a água, pois com a lente embaçada o atleta fica mais apreensivo, com medo de se perder ou receio de continuar… Mas o ideal é fazer a limpeza do óculos um dia antes da prova. Lave bem com água e sabão, deixa secar e passa um anti-embaçante.

Uma dica é que se durante os treinos você já sofre com o óculos embaçando toda hora, pode ser que esteja na hora de comprar outro. Pra saber se o óculos está bom, eu costumo colocar ele no rosto e fazer uma leve pressão. Se o óculos parar ok, mas se estiver escapando, a chance de entrar água é grande então, pode ser que você precise de um óculos novo ou um outro modelo.

Por que é importante respirar para os dois lados?

Foto: Desafio Aquaman Camburi – Ilha dos Gatos 2015

É normal que o nadador se acostume a respirar para o lado onde se sente mais confiante e confortável, geralmente o lado direito. Mas quando o nadador encara provas médias ou longas ou nada por mais de 2 horas o corpo começa a pesar e aí a repetição se torna desvantajosa. Ao respirar somente para um lado, provavelmente vai causar um torcicolo, dores no ombro, antebraço, e esse desconforto prejudica o rendimento no decorrer da prova… Então, se o atleta conseguir manter uma respiração bilateral (3 braçadas para 1 respiração) é melhor, torna o nado mais equilibrado, obrigando o nadador a respirar para os dois lados.

Como nadar em um mar agitado?

Foto: Desafio Aquaman Camburi – Ilha dos Gatos 2015

Por conta da corrente e das ondas, o nado fica desestabilidado e isso afeta diretamente a técnica. Nesse caso o nadador deve usar mais o abdômem, tirar um pouco o rolamento de tronco e aumentar a frequência de braçada. Com mar jogando de um lado para o outro é mais difícil encontrar apoio, então desta forma o atleta consegue se sustentar melhor. Lembrando de manter a finalização forte, para deslocar mais.

Por que você deve usar pé de pato nos seus treinamentos para águas abertas?

Os materiais de treino são essenciais para fazer correções técnicas, tirando “vícios” que podem estar prejudicando seu rendimento. Um dos mais utilizados certamente é a nadadeira, também conhecida como pé de pato. Ela aumenta a ação propulsora das pernas, tornado o nado mais rápido, além de manter o quadril elevado, dando mais equilíbrio ao nadador.

Muitos não sabem mas também é possível utilizar o pé de pato em treinos no mar, rios, represa… Claro que neste caso existem algumas recomendações importantes. Primeiro é que deve se lembrar que o pé de pato sobrecarrega um pouco a articulação de joelho, tornozelo e quadril, então é interessante ter uma prescrição específica (força, potência, resistência, enfim, qual for a necessidade do atleta), com trabalhos intervalados, para não sobrecarregar demais o nadador e também prevenir lesões. A nadadeira ainda ajuda aqueles que precisam fazer um trabalho regenerativo para descansar os braços.

Para atletas iniciantes, o pé de pato melhora tanto o condicionamento físico como o aspecto psicológico. O material ajuda na estabilização do nado, mantendo o alinhamento do corpo, fazendo com que o nadador sinta um pouco mais de segurança para nadar continuamente em águas abertas. Quando utilizado em trabalhos educativos, o material ajuda o atleta a focar mais na técnica. Claro que para que se tenha uma evolução é necessário que após uma série com pé de pato, seja realizada outra sem o equipamento, aumentando a propriocepção (percepção corporal).

Assim como na piscina, o ideal é que o atleta bata os pés da superfície para baixo. Ou seja, a sola vai até a superfície e desce, fazendo força na ascendente e na descendente, sempre nas duas direções. Por isso também é importante deixar o tornozelo bem solto, para ter um melhor aproveitamento do material, deslocando mais água.

Vale destacar ainda que o pé de pato também pode ser utilizado em conjunto com outros materiais, como a prancha, snorkel, palmar por exemplo. A nadadeira também é ótima em trabalhos de coordenação, como muda o ritmo de perna, o atleta consegue fazer uma braçada mais alongada, pode estabelecer melhor pernadas de 2, 4 e 6 tempos. Ou seja, são vários tipos de exercícios que contribuem para melhorar a performance.

Estratégia de prova: fuga em zigue-zague

Crédito da Foto: Allan Santos

Se você pretende escapar do pelotão (grupo de atletas) ou de um adversário, uma estratégia interessante á e fuga em zigue-zague. Ela evita de dar vácuo para outro atleta e é um recurso pouco utilizado pela maioria dos nadadores.

Essa estratégia consiste em quando o atleta atrás de você buscar seu pé para obter ajuda do vácuo, você cruza para o outro lado e vai repetindo isso sucessivamente, até se distanciar do seu adversário. Duas dicas importantes na aplicação para que você tenha mais sucesso é que você deve estudar o lado e a coordenação de respiração que o seu adversário utiliza. Assim, no momento em que ele respirar, você aproveita e rapidamente nada para o lado contrário, dificultando a perseguição.

Mas lembre-se que nessa situação é necessário aplicar força e intensidade para executar a mudança repentina de direção, além de respiração para trás (para enxergar o adversário) e paciência para conseguir realizar a fuga.