Nadar em água doce ou salgada: Tem diferença?

Lago Bodensee

Olá pessoal. Quando se fala em nadar em águas abertas, muitos ainda acreditam que tanto faz nadar em mar aberto ou em rio, mas isso não é verdade do ponto de vista técnico. 


A água do mar é mais densa devido ao sal. Isso significa que o corpo flutua melhor nessas condições do que na água doce. Rios, lagos e represas têm uma densidade diferente, inclusive, em relação à água utilizada nas piscinas, que podem ser tratadas com cloro, ozônio e também sal. Esses produtos também interferem na flutuabilidade do atleta. 


Todavia, as condições que o nadador encontra no mar são mais variadas do que as condições de lagos, rios e represas. Neste último caso, a água geralmente é mais fria, há pouca corrente e devido a densidade muitos acreditam que a água doce seja um pouco mais difícil para nadar. 

3 dicas para melhorar sua navegação (respiração frontal)

Olá amigos! Sempre digo que a navegação ou respiração frontal é um fundamento essencial na maratona aquática. Afinal, nós precisamos dela praticamente o tempo todo para nos nortear durante o percurso. Por isso vou dar algumas dicas importantes que podem ajudar você a melhorá-la.

Primeiro mire em um ponto, pode ser uma ilha, um prédio alto, um pier, enfim, algo que você consiga visualizar de dentro da água. Se for uma prova, sua referência provavelmente será uma bóia. Com este ponto em evidência você aprende a olhar para frente. 


Costumo dizer para meus alunos que uma boa navegação ocorre a cada 5 ou 7 braçadas. A gente sempre utiliza números ímpares para que a pessoa não fique respirando apenas de um lado, isso também evita torcicolos.
O ideal é tirar apenas os olhos da água, mantendo a navegação bem rasa. Alguns estão acostumados a tirar o rosto inteiro, mas neste caso você força demais a região do core e o quadril acaba baixando muito, desestabilizando o nado e com o tempo gerando um desgaste maior para o atleta. Manter o alinhamento é fundamental para que o atleta deslize sobre a água e com isso poupe energia para os momentos mais decisivos. 

Nadador de Campinas pretende contornar ilha de Atlantic City nos EUA

Samir Barel

Ano novo, missão velha: buscar novos desafios! Um dos principais fomentadores da maratona aquática no Brasil, Samir Barel decidiu reviver em 2021 aquele gostinho de superação. Após uma temporada sem eventos em razão da pandemia, no dia 1º de agosto o nadador encara a Volta a Atlantic City, uma prova tradicional de 36 quilômetros realizada na costa leste dos Estados Unidos. A travessia está na sua 55a edição e já fez parte do circuito mundial de ultramaratonas aquáticas da FINA (Open Water Swimming Grand Prix). 

“Sou um cara competitivo e uma das coisas que mais me motiva na natação é me desafiar. Essa prova não é muito conhecida pelos atletas de hoje, mas possui uma grande relevância na história da natação em águas abertas. Ela teve início em 1953, ganhou status internacional em 1979 e durante alguns anos ficou conhecida como Campeonato Mundial de Maratona Oceânica, devido ao alto nível de complexidade”, explica o atleta de Campinas 

Uma boa parte do percurso ocorre no mar do Atlântico Norte, onde a temperatura da água costuma variar de 26 a 20 graus celsius e existe interferência direta da Corrente do Golfo, caracterizada como uma das mais fortes e intensas do mundo. Lembrando que para este evento não é permitido o uso de roupa de neoprene, o atleta deve nadar de sunga ou maiô. De acordo com o histórico da prova, até hoje somente 3 brasileiros concluíram o desafio: Igor de Souza, com 4 participações e recordista do país na prova há 30 anos (8h19min15s), Janaina Soares, única mulher do Brasil a finalizar o trajeto, e Diego de Mattos Felipe, último representante nacional desde 2005. 

“É uma prova que pode durar de 7 até 11 horas, dependendo das condições climáticas, por isso tanto a parte física como mental devem estar bem fortalecidos. O vencedor recebe um prêmio de 2 mil dólares, isso certamente é uma boa motivação, além de ser um feito inédito para o Brasil. Seria uma honra entrar para este seleto grupo de nadadores extraordinários. Caso eu atinja essa meta, pretendo doar parte do prêmio para a ECOA – Ecologia e Ação, uma instituição do Mato Grosso do Sul que atua na preservação do cerrado e do Pantanal, locais que sofreram muito em 2020 com as queimadas”, afirma o nadador de 37 anos. 

Ex-atleta de piscina e praticante de maratona aquática desde 2007, Barel já concluiu algumas das provas mais longas e difíceis do planeta, como a Hernandarias-Paraná, de 88 quilômetros, sendo inclusive o único brasileiro a conquistar a famosa Tríplice Coroa das Águas Abertas (Canal da Mancha, Volta a Ilha de Manhattan e Canal da Catalina). Treinador e fundador da Samir Barel Assessoria Aquática, tornou-se referência no ensino e performance em provas de águas abertas, atendendo nadadores amadores e profissionais de todo o Brasil. 

“A maratona aquática não só virou minha especialidade, como permite ajudar milhares de pessoas através do esporte. Sempre digo que somos TODOS capazes de superar as adversidades. Que a minha história, meu exemplo, possa inspirar nadadores ou não a saírem de sua zona de conforto e buscarem um propósito para o seu dia a dia. Ter um objetivo, independente de qual seja, é o que faz a vida ter sentido e razão”, finaliza o maratonista aquático.

Como escolher uma roupa de neoprene para maratona aquática?

O neoprene tem se tornado uma vestimenta comum nas provas de maratona aquática. Muitas vezes a escolha do traje tem a ver com a temperatura da água, já que ele ajuda na manutenção da temperatura corporal. Porém, não é apenas esse o benefício que a vestimenta oferece. As roupas de borracha aumentam a flutuabilidade, permitindo que o atleta nade mais rapidamente. Por isso muitos nadadores passaram a utilizar a roupa mesmo com clima mais quente. 

Geralmente três fatores são usados para a escolha de um wetsuit: altura, peso e gênero. Muitas mulheres têm quadris mais largos e isso pode fazer com que a roupa tenha um número maior que o habitual. O mais importante é experimentar a roupa antes de comprar e também treinar com ela antes de ir para a prova, pelo menos duas ou três vezes. No dia da competição, já existe uma série de preocupações e nadar com um traje desconfortável pode tirar todo o foco. 

Uma dica que eu aprendi recentemente com um fabricante de material esportivo é: coloque o traje, entre na água, depois saia e deixe escorrer um pouco. Se você já entra direto, fica aquela sensação de bolha. Desta forma, quando a água escorrer você sentirá um “encaixe” da roupa. Com isso você se sentirá melhor. 

Com manga ou sem manga?

Atletas mais friorentos ou que possuem mais dificuldade técnica optam pela roupa com manga, enquanto atletas mais técnicos e menos friorentos geralmente usam o traje sem manga. Lembre-se que a distância da prova e o tempo que você leva para concluir o percurso também deve ser considerado na hora da escolha.

Em provas muito longas, a roupa com manga acaba sendo um pouco desconfortável pois traz a sensação de bloquear o movimento do braço e cansaço ao fazer a puxada na fase submersa. A manga flutua, o atleta precisa fazer um pouco de força para afundá-la e o desgaste aumenta. As roupas sem mangas deixam o movimento de braços mais soltos e eficientes. 
Para que sua roupa de borracha tenha mais durabilidade, após o uso lave-a com água doce, nunca use alvejantes ou produtos químicos… Deixe secar do lado avesso, em local arejado e na sombra, o sol pode causar rachaduras na borracha.  

Como vencer o medo na maratona aquática?

Pode parecer impossível, mas quando bate aquele desespero durante a natação em águas abertas, você deve ter 3 atitudes: PARAR, RESPIRAR E ACALMAR. Tire os óculos, flutue, direcione sua atenção para a inspiração e expiração… Lembre-se, a respiração oxigena o cérebro, faz ele trabalhar melhor. Se você continuar nadando você vai gastar energia à toa, o pânico se alastra e isso pode até gerar um afogamento. Então, dê um tempo, olhe para os lados, perceba que você não está sozinho, veja se existem caiaques ou barcos de apoio fazendo a segurança… Caso não consiga se controlar, acene pedindo ajuda. 

O medo vem de alguma sensação de desconforto, por exemplo, uma taquicardia por ter feito um começo de prova mais forte do que está acostumado, o medo de não conseguir colocar o pé no chão… Por isso é importante fazer um simulado antes da prova, você vai aprender a lidar com situações como essa sem a pressão do momento da competição. 

E se aparecer animais aquáticos durante a natação? Muitos atletas têm medo, inclusive eu (risos), de encontrar peixe, tubarão, arraia. Então antes da prova, procure estudar o local onde você vai nadar. Fique atento às águas vivas, elas podem ser encontradas em várias praias do litoral brasileiro e podem causar queimaduras horríveis. Peixes geralmente tem o instinto de fugir, então fique calmo que eles não irão te atacar. Hoje já existem equipamentos, como uma pulseira/tornozeleira que ajudam a “espantar” tubarões, porém antes de entrar na água procure um salva vidas ou um habitante local para saber naquela região costumam aparecer tubarões. Se for o caso, melhor procurar outro local para nadar. 

4 dicas para começar na maratona aquática

Olá pessoal! Mais um ano começando e muitos estão procurando sair da zona de conforto, buscar novos desafios… Nos últimos anos tenho notado o aumento no interesse em práticas de atividade física outdoor ou esportes ao ar livre. Esse contato com a natureza e a possibilidade de conhecer outros lugares são alguns dos fatores que estão levando alunos para modalidades como a maratona aquática. Que a natação é um esporte completo, todos já sabem, mas por que não sair da zona de conforto da piscina? 

Primeiro, procurar profissionais formados em Educação Física que tenham experiência com maratona aquática. Diferente de uma piscina, onde o ambiente aquático é totalmente controlado pelo homem, nas águas abertas a gente precisa se adaptar às condições que a natureza oferece, como a corrente marítima, temperatura da água, ondulação, neblina, etc. Por isso, é muito importante que seu treinador já tenha vivido esse tipo de experiência para saber como orientá-lo nas mais variadas condições climáticas. Em mar aberto, num rio, lago ou represa, não basta saber nadar, mas sim como nadar para manter a segurança. 

Segundo ponto, que também está ligado ao terceiro passo, esteja seguro na piscina e só depois vá para as águas abertas. Quanto mais condicionado e mais confortável com a sua técnica você estiver, mais fácil será para se adaptar às diferentes condições encontradas. Em alguns momentos você vai precisar utilizar uma braçada mais alta para vencer a ondulação, outras vezes deverá aumentar a frequência da pernada para se distanciar do pelotão, caso você ainda não tenha uma roupa de neoprene, terá que segurar o ritmo do nado para driblar o frio… São infinitas possibilidades, porém saber que tipo de técnica utilizar em cada momento é fundamental para que você economize energia e possa ter um melhor rendimento. 

Quarta e última dica, faça um simulado e aprenda a controlar seus medos. Não vai dar pé, não vai enxergar o fundo, vai precisar trabalhar mais a navegação (respiração frontal), pra que lado eu tenho que ir, enfim. Esses receios que são comuns aos iniciantes, portanto antes de ir para sua primeira prova, vá até um local seguro, conhecido, de preferência com a companhia de seu treinador e amigos de treino e faça esse “quebra-gelo”. Você não só corta um pouco da ansiedade da primeira prova, como chega melhor preparado para lidar com as adversidades.  

Campinas ganha Centro de excelência em natação

Com uma experiência mais de 20 anos na natação, Samir Barel decidiu inovar e trazer para Campinas um novo conceito de negócio. O ultramaratonista aquático, que já concluiu algumas das mais difíceis travessias do mundo, inaugurou o Centro Aquático SAMIR BAREL, um local voltado para o aperfeiçoamento técnico de praticantes amadores e profissionais de natação.

“Geralmente nas academias as áreas esportivas não se conversam muito. A musculação é uma coisa, a piscina é outra, então a principal ideia do Centro Aquático é integrar as coisas, oferecendo ao esportista uma estrutura de ponta, com equipamentos modernos, avaliações físicas e cognitivas, e um espaço para treinamento funcional focado nas necessidades do nadador. Outro fator importante é a orientação de uma equipe multidisciplinar, com educadores físicos, fisioterapeuta, nutricionista, treinador mental, ortopedista, fisiologista enfim, tudo o que a pessoa precisar para melhorar sua saúde e também alavancar sua performance”, conta Barel. 

Para Henrique Martins, atleta olímpico e natural de Campinas, a novidade pode inclusive ajudar a cidade no radar de revelação de talentos. “Temos uma ótima estrutura de treinamento porém quando me perguntam o que faltou aqui eu pudesse crescer como atleta, lembro que hoje os clubes locais focam mais na aprendizagem da natação e não no rendimento. O Centro Aquático pode ajudar não só na formação dessa nova geração, mas ser uma referência para atletas que buscam aprimorar sua técnica, aumentando a competitividade dos nadadores da região”, disse o campeão mundial de piscina curta, que testou e aprovou a piscina do CA. 

Pensando também no desenvolvimento da natação a médio e longo prazo, Samir Barel fez questão reservar um horário na grade do Centro Aquático para ministrar aulas de natação para crianças carentes. O projeto, que terá início em 2020, será realizado em parceria com a Prefeitura de Campinas. “Essa é uma parte fundamental do projeto. Fazer a diferença na vida dessas crianças é uma grande recompensa. É devolver um pouco do que eu sempre recebi.”

O Centro Aquático SAMIR BAREL fica localizado dentro do Centro Esportivo Careca Sport Center (Rodovia Campinas-Mogi Mirim, km 114,5, ao lado do Extra Hipermercado). 

Mesa Olímpica em Campinas

Já pensou ficar lado a lado com um campeão olímpico? Tirar suas dúvidas com um dos melhores treinadores do país? Pois na próxima quarta-feira (30/10), às 19h, os fãs de esportes terão uma oportunidade única de se reunir com 8 grandes nomes do esporte olímpico nacional no Centro Aquático SAMIR BAREL (dentro do Centro Esportivo Careca Sport Center). André Heller, Cassiano Leal, Henrique Martins, Igor de Souza, Ítalo Manzini, Juraci Moreira, Poliana Okimoto e Ricardo Cintra farão uma mesa redonda especial falando sobre performance, aperfeiçoamento e superação no esporte – e na vida. 

“Essas feras possuem uma experiência de vida enriquecedora. São relatos marcantes e emocionantes que nos deixam uma mensagem muito importante: Somos TODOS capazes de alcançar nossos sonhos, por mais difícil que seja ou pareça ser. Todo obstáculo pode ser superado, basta ter determinação e vontade. Ouvir histórias como essas pode ajudar a transformar vidas”, afirma Samir Barel, ultramaratonista aquático e organizador do evento em Campinas.

Para participar da Mesa Olímpica, os interessados devem encaminhar um e-mail para contato@samirbarel.com.br. O custo é de apenas 20 reais. Mas atenção, as vagas para o encontro são limitadas! 

Saiba mais sobre o histórico dos atletas e treinadores (ordem alfabética)

André Heller: Campeão Mundial (6x da liga Mundial, 2x Copa do Mundo e 1x Campeonato Mundial) e dono de duas medalhas olímpicas sendo uma de ouro em Atenas2004, foi jogador profissional de vôlei por 24 anos, 12 deles servindo a seleção brasileira. Atualmente é coordenador técnico/embaixador da equipe Vôlei Renata de Campinas, palestrante e neurocoaching.

Cassiano Leal: Dono de duas medalhas de bronze em Campeonatos Mundiais de piscina curta, o nadador paulista também foi vice-campeão panamericano em Havana 1991 e Mar del Plata 1995.  Especialista na prova de 200m livre, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e depois de se aposentar virou sócio do também nadador Gustavo Borges na Metodologia Gustavo Borges de ensino de natação. 

Henrique Martins: Especialista no nado borboleta, ganhou 4 medalhas de ouro em revezamentos para o Brasil no Mundial de Piscina Curta de Doha2014. O velocista também foi bicampeão individual na Universíade em 2015, finalista do Mundial de Budapeste2017 nos 50m borbo e integrante da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos Rio2016.

Igor de Souza: Tricampeão da tradicional Volta a Ilha de Manhattan, tem como maior feito da carreira atravessar o Canal da Mancha por três vezes, sendo o primeiro brasileiro a completar o percurso de ida e volta e dono do recorde panamericano que perdura há 20 anos. Suas conquistas o levaram a integrar o Hall da Fama da Natação Internacional. Atualmente acompanha e treina nadadores que pretendem travessar o Canal da Mancha, é supervisor técnico da equipe brasileira de maratonas aquáticas além de diretor do Circuito Maratona Aquática, o mais antigo evento por etapas de águas abertas do país, e gerente de marketing esportivo da Speedo Brasil. 

Ítalo Manzini: Campeão mundial militar de natação, sagrou-se bicampeão sul-americano em 2018 e foi medalhista de prata na Universíade 2017. Dono de várias medalhas de ouro em campeonatos brasileiros, o mineiro representou o Brasil nos Jogos Olímpicos Rio2016.

Juraci Moreira: 6x campeão brasileiro de triathlon, representou o Brasil em 3 edições dos Jogos Olímpicos (Sidney2000, Atenas2004 e Pequim2008). Em 1998, quando tinha 19 anos, tornou-se o primeiro atleta júnior a vencer um Campeonato Brasileiro Adulto. O paranaense ainda conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo de Triathlon no Japão em 2002, foi campeão do Pré-Olímpico na Guatemala e medalhista de bronze nos Jogos Panamericanos do Rio2007. 

Poliana Okimoto: Primeira nadadora brasileira a conquistar uma medalha olímpica, faturou o bronze nos Jogos Olímpicos Rio2016 e tem ainda duas medalhas de prata nos 10k em Jogos Panamericanos (Rio2007 e Guadalajara2011). A paulista sagrou-se campeã mundial do Circuito de Maratonas Aquáticas de 2009 vencendo nove de 11 etapas, além de conquistar a medalha de ouro no Mundial em Barcelona2013. Em 2018 entrou para o International Marathon Swimming Hall of Fame.

Ricardo Cintra: Atuou mais de 11 anos como técnico da Seleção Brasileira de Maratonas Aquáticas, tendo 3 Olimpíadas no currículo (Rio2016, Londres2012 e Pequim2008. Contribuiu diretamente para a conquista da medalha de Bronze de Poliana Okimoto na Rio2016. Atualmente é head coach da Okimoto & Cintra Swim Team, assessoria esportiva voltada para treinamento de natação. 

Provas de 10k ou mais

Olá pessoal!! Fim de ano chegou!! Espero ter ajudado vocês a melhorarem os treinos e as técnicas de natação em águas abertas… Claro que ainda existe muito a se falar, diversos temas e dúvidas… Por isso, o aprendizado segue e estamos aqui para ajudar você a turbinar a sua performance!!

Bom, muitos de vocês já devem estar planejando a temporada 2020 e alguns certamente tem o desejo de partir para uma prova mais ousada, por exemplo de 10k (ou mais)… Essas provas longas, também conhecidas como ultramaratonas aquáticas, exigem um planejamento diferente. Por isso, deixo aqui pra vocês algumas recomendações e dicas de PERIODIZAÇÃO de treinamento, para começar 2020 com o pé direito!!

Em geral uma periodização para esse tipo de prova exige de 10 a 15 semanas de treinamento para um atleta amador. Dentro desta periodização devemos respeitar a individualidade, rotina de vida e nível de cada atleta; Detalhe: 10 a 15 semanas considerando que o atleta já esteja treinando um mínimo de 10k por semana a mais de 3 meses, está adaptado e condicionando os treinos para provas de distâncias mais curtas! 

Para atletas que iniciaram há pouco tempo na natação recomendo um volume mínimo de 20k por semana para provas de 10k e um volume de 25k para provas acima de 10k. O principal obstáculo com relação a distância é o fato de nadar por horas e horas de maneira contínua. Por isso, é preciso que o corpo esteja bem condicionado, assim como a mente, para enfrentar esse tipo de situação. 

Para atletas que já praticam natação há alguns anos e possuem experiência em provas de longa distância, recomendo treinar no mínimo de 15k por semana para provas de 10k e treinar 20k por semana para provas acima destas. Como esse nadador já possui uma base técnica, o volume será suficiente para completar a prova com segurança e conforto.

Antes de ir para a prova, participe de treinos em lagos, represas, rios e mar além de provas metragens menores para se adaptar ao meio que irá nadar. É fundamental o atleta conheça seu corpo, sua mente e seu ritmo para cada variação de metragem antes de fazer sua primeira prova longa. 

Agora, uma dica super importante é, sempre que for nadar longas distâncias leve um ACOMPANHANTE!! Essa pessoa pode ser um parente, amigo próximo, cônjuge ou ainda seu treinador… o ideal é que seja alguém que você confie, pois o guia é uma figura essencial durante todo o percurso. Como a metragem é grande e o tempo de treino/prova também, é fundamental que você tenha alguém próximo o tempo todo para garantir sua segurança e ajudar com hidratação, pace, eventuais emergências (mal-estar, cãimbras, entre outros) ou mesmo incentivar você a não desistir quando o cansaço bater (e bate muito!!) Um caiaque, stand-up ou barco também ajuda muito o guia, pois ele estará controlando boa parte dos detalhes da sua prova enquanto você segue nadado e focado em concluir o seu objetivo. 

Um abraço, boas festas e bons treinos!!

Desafio 100×100

Olá pessoal! Hoje o nosso artigo tem uma proposta diferente. A temporada está acabando, muitos de vocês provavelmente já concluíram aquela(s) prova(s) desejada(s). Alguns já estão planejando a temporada 2020. Com isso, vários atletas acabam “desacelerando” nos treinos, afinal aquela cobrança por resultado diminuiu e com isso é possível dar um “descanso” para o corpo. Assim, proponho a vocês a realização de um treino diferente: Desafio 100×100.

O objetivo desta série é dar um novo estímulo ao atleta, motivando o treino, além de simular uma das diversas condições que a Maratona Aquática proporciona. O nadador deverá repetir 100 vezes 100 metros, encaixando bem a técnica, com ritmo de prova ativo. Umas semanas atrás eu mesmo executei a seguinte série (uma sugestão que deixo à vocês): 

1-  25×100 com Crawl palmar alternando 1 ac/1’15” e 1 ac/1’ 20”. 

2-  25×100 Crawl ac/1’20”. 

3-  25×100 Braço com Flutuador ac/1’20” 

4-  25×100 Crawl com Pé de pato ac/1’15”

Nesta série, trabalhamos da seguinte forma:

1- PALMAR (sem flutuador): início de prova, estamos descansados e com força sobrando. Portanto é o momento de nadar com poucas braçadas, posicionando a técnica e coordenação do nado!

2- CRAWL: com o nado encaixado, tiramos o material de apoio e imprimimos um ritmo e técnica REAL de prova, onde o equipamento (palmar) não auxiliará. 

3- BRAÇO (com flutuador): com os braços já mais cansados, é preciso dominar a frequência de braçadas e fazer mais força. Assim, isolamos a perna, focando nos braços, aumentamos o GIRO de braçadas e aproveitando bem a finalização! 

4- PÉ DE PATO: final de prova e braços cansados… O que nos resta?! Aumentar ritmo de pernas para levantar o nado e ajudar os braços!! Chegada forte!

Esta série pode ser realizada de diversas maneiras, mas, sem dúvida, todas serão eficientes e terão um grande efeito na performance. 

Isso aí galera! Quem anima?!? Depois compartilhe com seu treinador e amigos as sensações (boas e ruins) e também fico a disposição para tirar dúvidas e ajudar você a melhorar a sua performance!

Abraço e bons treinos!